quarta-feira, 16 de agosto de 2017





Um mar que Minas nunca teve. E cercado de cânions.


Lago de Furnas - Foto: Vida Sem Paredes

Está registrado na história que, no dia 9 de janeiro de 1963, o túnel que desviou o curso do Rio Grande para a construção da Usina de Furnas foi fechado. E as águas que formaram um dos maiores reservatórios do mundo, criando praias, cânions e cachoeiras, inundaram vilarejos, mudando para sempre a história dos 34 municípios que ficam ao longo dos 1.440 km2 de extensão do imenso Lago de Furnas.

Claro que já havia ouvido falar bastante sobre aquela que foi a primeira usina hidroelétrica de grande porte do pais, localizada no Estado de Minas Gerais, entre as cidades de. São José da Barra e São João Batista do Glória. Mas, mesmo viajando por quase todo o Brasil, trabalhando pelo então Suplemento de Turismo do "Estadão", por mais de uma década, nunca tive a oportunidade de conhecer o Lago de Furnas, que surgiu em consequência da obra. 

O Lago de Furnas fica na região de Capitólio, a 279 quilômetros da capital mineira e há bom tempo é vendido nos convidativos e atraentes pacotes das agências de viagens como o "Mar de Minas". O que, de certa forma, até se justifica não só por ser a maior extensão de água de um Estado, que fica distante do mar, mas também porque é um dos maiores e mais limpos lagos artificiais do mundo, E se transformou, com o passar dos anos, em um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil, recebendo também um considerável contingente de visitantes de outros países.  

Cânions - Foto: Divulgação
Com um volume equivalente a 2,6 bilhões de metros cúbicos, quando há fortes ventos ocorrem ondas, dando a impressão de ser um braço do mar.  Em toda a extensão do Lago, deságuam númerosas cachoeiras e cascatas, identificando a região como um verdadeiro paraíso. Estes aspectos atraem turistas e moradores para a prática de diferentes atividades náuticas, de pesca, caça subaquática, natação, trekking, jet ski, paraglider, banho de sol, além do ecoturismo. Tudo cercado por um cenário cuja beleza dispensa comentários.

Mas, sem dúvida, à principal atração:em Capitólio, localizada entre a Serra da Canastra e o Lago de Furnas, são  os passeios de lanchas, escunas e chalanas com direito a parada para banhos em suas águas límpidas e profundas, por entre os cânions, com 20 metros de altura. As excursões podem se estender por horas, dependendo dos roteiros comprados nas agências que atuam na região ou nos hotéis em que o turista se hospedar.   



Passeio no Lago Azul - Foto Divulgação
 É longe, mas compensa

Na linguagem característica do mineiro, Capitólio não fica a um pulinho dos principais centros do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e da própria capital do Estado, Belo Horizonte. Esta, que é mais perto, está a 279 quilômetros, percurso que, de carro, pode ser coberto em torno de 3h45. 

Partindo de São Paulo, são 440 quilômetros, e  será preciso dirigir por cerca de 5h30, usando a Fernão Dias. Bem mais cansativa é a viagem para quem sai do Rio de Janeiro, distante 634 quilômetros e rodando 8h30. 

Este blog mostra o mapa com as rodovias a serem utilizadas para quem for de carro. De
BH a empresa Gardênia tem ônibus até Capitólio, Mas, o recomendável é fazer a viagem de carro próprio, de qualquer ponto de partida, até para facilitar os deslocamentos e chegar às principais atrações, hotéis e restaurantes, que ficam fora do perímetro urbano da cidade. E muitas estão às margens da MG-050, que dá acesso a Capitólio., 

Outra sugestão: tente fazer esta viagem em grupo, para dividir as despesas com o combustível e os custos dos passeios em Capitólio e região. Uma permanência de quatro a cinco dias é suficiente para conhecer tudo. Um detalhe importante; algumas cachoeiras ficam em propriedade particular e neste caso é cobrada uma taxa de visitação. Paga em dinheiro.  

A rede hoteleira dispõe de numerosos hotéis e bastante confortáveis. Há também muitas e boas pousadas e áreas de camping, como na Pousada do Rio Turvo, alternativas mais econômicas para quem for de onibus. Caso esteja com um grupo de amigos, vale a pena alugar uma casa e rachar a conta. Particularmente na alta temporada, férias, feriados prolongados e no período do carnaval, quando os preços das diárias são bem mais caros. 

Procure reservar com antecedência e para saber quais os melhores hotéis e pousadas em Capitólio e região, com a localização exata e os preços das diárias e dos passeios, e as dicas das principais atrações, acesse alguns destes sites especializados: Vida Sem Paredes, Booking, Tripadvisor, Visiteminasgerais, Hotelurbano, Feriasbrasil, Ecoviagem e Trivago, entre outros. Agências de viagens, como a CVC, tem pacotes interessantes com duração de cinco dias para Capitólio, com saída de São Paulo.

Qualidade na mesa

Comer bem em Capitólio e no entorno do Lago de Furnas, não é problema. Além da tradicional cozinha mineira, os restaurantes exploram bem a principal matéria prima da região, o peixe. E a grande estrela do cardápio pode ser provada no Restaurante Cozinha da Roça: Tilápia Recheada com queijo, um prato delicioso, com preço acessível e dá para três pessoas. O estabelecimento fica no balneário de Escarpas do Lago, a alguns minutos do centro da cidade,  

Outras boas referências em Capitólio, com pratos da cozinha brasileira e sulamericana, são:o Restaurante do Turvo, Kanto da llha, Restaurante e Churrascaria Mirante do Lago e Hud"s Lounge Escarpas do Lago, no hotel do mesmo nome, todos próximos ao Lago de Furnas, alguns com vistas privilegiadas. 

Um lembrete final: se for apreciador da marvada pinga, Capitólio tem excelentes cachaças.

Uma história com dramas

Capitólio - Foto: Divulgação
Para construir a maior usina hidrelétrica do país, na época, com capacidade de gerar uma potência elétrica de 1.216 MW, vieram profissionais estrangeiros, principalmente ingleses, e foram importados equipamentos da Itália, Suécia, Estados Unidos, Suíça, Canadá e Japão..

Se foi difícil abrir túneis e galerias, para desviar o curso dos rios Grande e Sapucaí, convencer os proprietários de terras dos municípios da região a vendê-las para a central Elétrica Furnas, em nome do interesse nacional, não foi menos fácil. Nem todos aceitaram e houve gente, como Dona Clarisse de Souza Rodrigues, já falecida, para quem nem o dinheiro oferecido, nem a ameaça de ver tudo ficar debaixo d´água era suficiente para deixar sua terra. 

A maioria recebeu o valor venal, depositado em juízo pela empresa, mas ela deu muito
Morro do Chapéu - Foto: Divulgação
trabalho aos advogados de Furnas. Nem mesmo uma carta do presidente Juscelino a convenceu de vender as terras. Dona da fazenda Corredeiras, onde estão hoje as instalações da usina e o bairro, ela deu até tiros de carabina para não ser desapropriada, de acordo com um 
depoimento de seu filho, José Rodrigues Filho, ex-funcionário de FURNAS.

"Minha mãe era brava e para ela as terras não tinham preço. Furnas oferecia dinheiro, fazendas melhores que a nossa e ela não aceitava nada. As obras começaram com ela no canteiro. Ela só foi convencida depois que um advogado da empresa lhe deu presentes, a levou ao Rio de Janeiro, e ofereceu um sobrado alugado na nova São José da Barra, todo mobiliado, com geladeira e tudo mais que só milionário tinha na época. Ela nunca tinha visto nada igual".

O aluguel do sobrado por cinco anos, mais 2,7 milhões de cruzeiros, "em notas bonitas, douradas", fizeram Dona Clarisse mudar-se com a família. "O dinheiro ela emprestou, guardou, acabou. Ela morreu numa casinha humilde, na rua Alagoas", contou o filho, que trabalhou como servente, zelador, ajudante de cozinha, cozinheiro e garçom na Casa de Visitas de Furnas.


Autêntico cartão postal - Foto Divulgação
A maioria dos municípios inundados possuía vocação agropecuária, mas com o alagamento das áreas produtivas diversificaram suas atividades. Surgiram pequenos comércios e o turismo, ainda pouco explorado, tornou-se a opção natural para geração de renda na região. Há mais de 200 empreendimentos turísticos, entre hotéis, pousadas e clubes náuticos, segundo a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago) que movimentam a economia local, gerando empregos e impostos para os municípios

#minasgerais # lagodefurnas# viajarémuitobom #Associaçaodosmunicipiosdolagodefurnas

 

2 comentários:

  1. Lugares idílicos, e também singelos. Tilápia recheada com queijo? Hummmm Acho que devemos dar essa ideia ao nosso amigo supervisor do Nahoe, do Analia Franco, para trocar o arroz com legumes ou incluir também, à fazer essa tilápia recheada com queijo. Mas devemos falar também que tem que dar para três pessoas. É, mas o preço não vai ser nem um pouco acessível. Beijo amor.

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    1. Obrigado pelos elogios. E acho uma boa idéia para incrementar o cardápio do Nahoe. Agora, que não vai sair barato, não tenho a menor dúvida, principalmente se ele importar a tilápia do lago de Furnas!!!! Bjs. Orlando

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