sábado, 8 de maio de 2021

História e Estórias de Um Diário de Viagens (II)


 






Visitar a Grécia, um dos berços da civilização e dos destinos mais procurados pelo turismo mundial, sempre foi um dos meus sonhos. Ainda mais após a TV mostrar os Jogos Olímpicos de 2004.

Tudo planejado para a grande aventura, encaramos a longa viagem, partindo às 10h20 de um 6 de maio de 2008, do Aeroporto de Confins, com espera no Rio até o embarque para Paris, às 19h05. Às 15h30 do dia 7 de maio estávamos hospedados na bela  Atenas.

Sem tempo a perder, porque a permanência na capital seria curta e era grande a nossa ansiedade, fizemos um primeiro reconhecimento pelas imediações. Terminamos com um  jantar no bairro de Plaka, com uma deslumbrante vista da Acrópole iluminada, com o Parthenon em destaque.

A temperatura está elevada, mas não impede que estejamos gastando bem a sola dos sapatos em incontáveis passeios. Os gregos são muito acolhedores e a comida muito boa. Amanhã, domingo,vamos para Santorini.

Já deu para visitar o Museu,  com o que sobrou das ruínas, a Acrópole, entupida de gente, e o  badalado bairro de Plaka. O alfabeto tem sido utilíssimo. A gente lê e, de vez em quando, até entende.

Sem exagero, apenas uma constatação, mas a Grécia está um tanto destruída, o que realmente é uma pena. Ontem, na Acrópole, entramos de graça, pois os funcionários deixaram os portões abertos em protesto por falta de pagamento e desvio de verbas das obras de restauração. Nós já vimos este filme antes.


Santorini é de embasbacar




Estamos em Santorini, um dos cenários mais incríveis que tinha contemplado em minhas viagens. Como se diz, é de embasbacar. Chegamos em torno de 14 horas, de avião, e já saímos para dar um passeio e almoçar num restaurante típico.

Dentro de nossa programação, fizemos no dia seguinte um passeio inesquecível. Andamos pela ilha toda, de ônibus, conhecendo os pontos mais atraentes e depois pegamos um barco. Estivemos na parte que é um vulcão e subimos até a sua cratera. Este vulcão foi responsável (em 1450) pela explosão e divisão da ilha que tomou o formato de uma meia lua.

Em 1956, houve um terremoto que acabou com a ilha, depois reconstruída e hoje transformada em grande atração turística, repleta  de pousadas, joalherias e restaurantes. Fomos até Oia (lê-se Ia) e apreciamos o por do sol, às 21h. Haja fotos para registrar tudo.

Depois que deixamos a cratera do vulcão e voltamos para a praia, subimos até a parte alta de Santorini, com suas casas brancas e janelas azuis, lojas e restaurantes.Tem gente que sobe as íngremes ladeiras e escadarias montadas em burrinhos e outros preferem ir a pé, testando a resistência. Que foi o nosso caso. Tivemos pena dos burrinhos..

O inverno está nos últimos dias e faz um pouco de frio, mas dá para aguentar. Amanhã teremos sol, segundo a meteorologia e no dia 15 vamos para três dias em Paros. Estamos lendo grego adoidado e entendendo  muito pouco.

Paros, uma Liga das Nações


Paros - Foto: MLA

Paros - Foto: MLA

Partimos de Santorini de ferryboat com destino a Paros. A estadia aqui foi ótima e em nossas andanças encontramos muitos gatos e cachorros, que são bem mansos. Os gregos gostam muito deles e os animais convivem com os turistas numa boa.

O tempo está cada dia melhor, mais quente, porém venta muito. Ontem ainda fomos a uma praia aqui perto, só olhar, mesmo porque ela é toda de cascalho grosso, ou seja, pequenas pedras que machucam os pés. Tinha alguns nórdicos corajosos estatelados ao sol e encarando as águas do mar Egeu, que devia estar gelado, apesar de deslumbrante.

Paros é uma ilha cheia de cidadezinhas pequenas e charmosas, aliás como todas as cidades gregas. Tempo excelente, com céu azul e temperatura bem agradável. Hoje fomos a uma praia, que por acaso tinha areia , e o garçom era da Albânia. Aqui é uma verdadeira Liga das Nações.

Se vocês aí no Brasil souberem pelo noticiário que o bicho está pegando em Atenas, que tem greve, etc. não se preocupem  pois estamos longe de lá e só voltaremos para o aeroporto para pegar o avião de volta a Paris.Vemos noticiário todo dia, à noite, no hotel. Não entendemos nada, mas prestamos muita atenção!! Tudo está ótimo.

Hoje fizemos um passeio de ônibus, até uma cidadezinha próxima, chamada Naousos. Um encanto, cheia de casinhas brancas com janelas azuis. É tipo um balneário chic, com lojas muito caras, de grife e na base do "mirando" : andando e só olhando. Amanhã visitaremos Lefkos, também perto. O passeio segue ótimo e o clima  esquentando a cada dia. Vamos para Mikonos, na segunda, de ferryboat. Tô pensando em me mudar para a Grécia.

 

Mykonos, sobram flores e turistas





Depois de uma agradável viagem de ferryboat, chegamos a Mykonos. Aí, sim, a aventura começou. Nosso hotel fica bem no centrão e no meio do "buchicho" onde carro não chega!
 Então, viemos do porto até aqui arrastando, literalmente, malas e sacolas.

Eu e uma amiga do grupo chegamos inteiros, mas outras duas, além de terem ajuda da moça do hotel, quase tiveram taquicardia! O hotel é apertadinho, como tudo aqui, mas confortável e bem bonzinho.



Estamos saindo bastante, o tempo ajuda, a cidade é um charme  e lotada de turistas. Há pelo menos dois navios ancorados por aqui, tem até brasileiro! Argh! Amigos, já encontramos o Pétros, pelicano mascote da ilha. Aliás, encontramos três na pracinha do restaurante Nikos. Eles são uma graça, tiram sarro dos turistas, se deixam fotografar e fazem aquele charme !

Hoje fomos à ilha de Delfos, centro das ilhas Cíclades, onde  nos hospedamos. Passeio ótimo, de barco lotado e aquela turistada de tudo quanto é raça, e claro, brasileiros. Inesquecível.

Almoçamos no Nikos e vimos mais uma vez os pelicanos. A ilha é linda, mas perde para Santorini. Só vendo pra crer. O que tem de flor não está no gibi. Cada primavera florida pelas paredes que é um espetáculo. Amanhã, mais passeios  e dia 22, que nem me lembro mais qual  dia da semana, infelizmente voltamos para Atenas e de lá para Paris. É, a vida é dura, e estamos "sofrendo" muito. Mas está valendo a pena.


 

domingo, 2 de maio de 2021

História e estórias de Um Diário de Viagens (I)




Flores nas varandas das casas, um charme na cidade de Cartagena - Foto:MLA

Na minha atividade de jornalista do Suplemento de Turismo do Estadão sempre viajei a trabalho. Portanto, nas reportagens publicadas, a principal preocupação era promover as atrções do país visitado. E, claro, oferecer com precisão e autenticidade todas as informações que motivassem os leitores a se interessarem pelos roteiros divulgados, numa próxima viagem de férias. Tudo da forma mais atraente e com a linguagem adequada.
Neste Blog, hobby de um repórter aposentado, aproveito para recapitular antigas viagens, mas no papel de simples e curioso turista. Assim, além de informações sobre a história, cultura, o que de mais importante conheci durante minha permanência, também incluo observações pessoais sobre os costumes, o jeito de ser do povo, seus valores e hábitos, tradições e curiosidades.

Importante destacar que algumas das viagens foram feitas há mais de uma década. Trata-se de uma volta no tempo, valendo-me do arquivo de minha memória e de documentos, livros, folhetos, mapas, fotos e anotações, feitas na época, guardadas para ocasiões como esta, de reclusão forçada.
Catedral de Sal
Cá estamos em Cartagena, cidade histórica, um charme. Sua fundação é de 1580. Tem muralhas, está bem conservada porque é patrimônio da Unesco (como Ouro Preto). Então, no interior das muralhas não se pode fugir do padrão. Foram concedidos muitos subsídios para a restauração das casas.

Chegamos ontem, na hora do almoço, ótima viagem. A Aviança é espartana em seu lanche de bordo (põe a Gol e a Tam no chinelo). Só dão um copo de suco, água ou refrigerante e estamos conversados. Isto porque o vôo era na hora do almoço!.

Chamam a atenção as construções, com varandas de madeira  ornamentadas com muitas flores (buganville). Acho que é a única flor que resiste aos 50 graus à sombra, daqui!  Nunca senti tanto calor num lugar  só.  O calor de Noronha é "fichinha" perto desse. A vontade é de ficar o dia inteiro onde haja ar condicionado. Um europeu não aguentaria. Sucumbiria na primeira meia hora!

Um dos produtos básicos da Colômbia, além das rosas, são as esmeraldas. Nunca vi tanta joalheria vendendo esmeraldas.Tivemos que trocar de hotel, porque o nosso era bem chinfrim. Escolhemos outro e como estão em baixa temporada, conseguimos um preço justo. Estamos muito bem instalados no centro histórico e vamos para todos os lugares a pé .Amanhã faremos um city tour de van. E hoje, mais tarde, uma passeio de charrete.

Durante um reconhecimento de terreno, encontramos de pertinho, dando um bordejo por aqui, devidamente acompanhado, o embaixador do Brasil e grande comitiva: S. Excia. o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim! Sair do Brasil para conhecer o Ministro aqui!

Ambulantes e mágoas do passado

Fizemos o city tour pela parte nova da cidade e algumas incursões na parte velha.  A cidade tem cerca de 20 mil habitantes e uma quantidade anormal de vendedores ambulantes que não dão sossego. Ficam o tempo todo atrás da gente, oferecendo desde quinquilharias até as esmeraldas da Colômbia, que dizem ser as melhores do mundo.

Visitamos vários monumentos históricos e o herói nacional aqui é Simon Bolivar, que libertou a cidade dos espanhóis. O estrago que franceses e ingleses fizeram aqui, invadindo e levando tudo que podiam para  a Europa, não está no gibi. A mágoa existe até hoje, claro. Acho que sofreram muito mais do que nós no Brasil. Teve um pirata inglês, um tal de Francis Drake, que era o cãozinho chupando manga... Pintou e bordou, carregou o que pode para a Inglaterra. E o espertinho do Luiz XIV acabou de construir Versailles com o ouro daqui!

domingo, 25 de abril de 2021

Restauração da Vila Itororó, sinfonia inacabada


Fotos Estadão

Demorou. As obras começaram a sair do papel em 2014. Mas, finalmente no dia 20 de Dezembro de 2019 o restauro  arquitetônico da Vila Itororó foi entregue à cidade pela Secretaria Municipal da Cultura. Mas apenas parcialmente, é verdade.  Na primeira fase foram recuperadas as casas 5, 6 e 7 e o bloco 11, com nove apartamento. A segunda etapa contemplará as casas 2, 3, 4, 9 e 10 e por último o Palacete, a primeira piscina particular da cidade e uma quadra poliesportiva.


A restauração representa um terço de todas as edificações da Vila e nas casas inauguradas estão instalados um restaurante comunitário, espaço de residência artística, laboratório de fabricação digital e marcenaria (chamado de fab lab) e, ainda, a sede da Casa da Memória Paulistana, que integrará a rede Museu da Cidade. 

Caminhava tudo bem, até a eclosão da Covid 19, que obrigou à suspensão das visitas monitoradas a este novo pólo cultural de São Paulo. Assim como todas as atividades que estavam integrando, a população em geral e principalmente os antigos moradores da Vila, aos espaços restaurados.  Até então, ali se desenvolviam  oficinas, exposições, debates e programação de lazer,  ampliando o que se fazia no galpão do Centro Cultural Vila Itororó Canteiro Aberto, criado no mesmo terreno, em 2015.

Fotos Estadão

E surgiu um outro problema, também sério: falta de aporte de recursos da Prefeitura, via Secretaria da Cultura. E as obras da segunda e terceira fases da restauração, incluindo cinco casas, e a estabilização e recuperação Palacete, também chamado de Casarão, estão paralisadas. Desde o final do contrato com a Concrejato, empresa de engenharia responsável pela sua execução, após a entrega da primeira etapa. Sem previsão de reinício e de conclusão, o que exigirá uma nova licitação e a um custo maior. Por enquanto, é uma sinfonia inacabada. 

Mas, espera se que, assim que tudo estiver normal, e como vinha acontecendo, pelo menos recomecem as visitas monitoradas e o acesso dos turistas ao pátio das casas. Eram feitas de quinta-feira a domingo, às 16 horas e de forma gratuita. O passeio tinha duração de 1h30, com entrada pela Rua Pedroso, 238.

Meio século de abandono



foto: wikipédia
A Vila Itororó conheceu um período áureo até a morte do construtor em 1932, sem deixar herdeiros e endividado. Ficou mais de 50 anos abandonada, época em que transformou-se em cortiço e entrou em franca degradação já nos anos 70. Viu, pouco a pouco, seus moradores transferidos para apartamentos da CDHU. Houve ainda, em 1978, uma tentativa, sem êxito, do SESC de comprar o conjunto de casas para ali implantar um centro de convivência cultural, com teatro, biblioteca e cinema abertos ao público. Mas, o sonho de fazer do conjunto arquitetônico , que data de 1922, um polo cultural, turístico e gastronômico, agora é realidade. Pelo menos parcialmente.
Viabilizado por um projeto aprovado pela Lei Rouanet, de incentivo à Cultura, com a parceria da Prefeitura e da iniciativa privada, o Instituto Pedra, órgão gerenciador  do processo de revitalização do complexo desde o início das obras em 2014, previa para até outubro a entrega de um dos edifícios que integram o Bloco de número 11. De acordo com a arquiteta Mariana Victor, da equipe daquela entidade, em entrevista a este Blog, ), os trabalhos de restauro das casas dos blocos, de números 5, 6 e 7, da praça, do Palacete e da piscina do complexo,  não tinham prazo definido para conclusão.

foto: Instituto Pedra
 Para a execução de todas as obras  de restauração seria necessária a captação de R$ 50 milhões, sendo que R$17 milhões via Lei Rouanet. (Lei de Incentivo à Cultura). Desse montante,  foram utilizados R$ 15 milhões, segundo o Instituto Pedra. Os recursos complementares viriam de patrocinadores, pessoas físicas e jurídicas, da iniciativa privada, entre os quais  Banco Itaú e a construtora Camargo Corrêa e o BNDES. 

O canteiro de obras da Vila Itororó inclui a área do pátio e os 11 edifícios da Vila, onde foi iniciado o restauro propriamente dito, e um grande galpão com acesso pela rua Pedroso, 238. Único setor aberto a maior parte do tempo ao público, o galpão funcionou como um Centro Cultural Temporário e de lá é possível ter uma visão panorâmica da Vila. 

No espaço ficavam os escritórios da obra, as áreas de uso da equipe de ativação cultural e dos trabalhadores que atuavam no restauro, uma marcenaria, uma biblioteca e uma cozinha. Frequentado inclusive por moradores de rua da região que podiam guardar seus pertences em armários, no local eram realizados palestras, oficinas, seminários, debates, sessões de cinema e de teatro. Um piano estava á disposição para quem quiser tocar. 

Ocupação do espaço público

A história da Vila, tombada pelo Município (2002) e pelo Estado (2005) começa com a sua inauguração em plena Semana de Arte Moderna, no ano de 1922, e também do Centenário da Independência. Foi um empreendimento ousado do empresário Francisco Castro. Considerado um visionário por muitos, ele idealizou e  construiu, por etapas, aquele que foi o primeiro conjunto arquitetônico no país a utilizar material reciclado de várias construções. Principalmente do Teatro São José, erguido em 1909 e demolido em 1920, e que ficava na cabeceira do Viaduto do Chá, onde é hoje o Shopping Light, vizinho ao Teatro Municipal.  A finalidade da obra foi justificada pelo seu criativo empreendedor para a “ocupação do espaço público pela comunidade”.
foto Milu leite

 
A singular arquitetura da Vila Itororó, de estilo eclético, é definida por especialistas em urbanismo como “surrealista”, pelas suas características incomuns na época. O conjunto arquitetônico é constituído por 10 edificações construídas para fins residenciais e um palacete ou casarão, com três pavimentos, onde morava Francisco de Castro. 

Está localizado na encosta do antigo vale do riacho Itororó, em uma área de topografia irregular, na quadra que compreende as ruas Pedroso, Martiniano de Carvalho, Maestro Cardim e Monsenhor Passalaqcua, divisa entre os bairros da Liberdade e da Bela Vista, conhecido como Bixiga. O nome Itororó foi em homenagem ao riacho que passava pelo local, canalizado muitos anos depois e sobre o qual está a atual avenida 23 de Maio. Dentro da Vila foi construída a primeira piscina privada, de uso público, em São Paulo e que funcionou até os anos 1980. Fazia parte do clube Eden Liberdade e era abastecida com água daquele riacho.

As obras foram iniciadas após conclusão de minucioso e inédito levantamento histórico, iconográfico e arquitetônico do conjunto da Vila Itororó pelo Instituto Pedra, que abriu o canteiro ao público com uma proposta inovadora: instalou um Centro Cultural Temporário permitindo que a  restauração fosse compartilhada pela comunidade por meio de visitas gratuitas e monitoradas, que se iniciaram em abril de 2015, ao pátio das casas. A população conheceu os detalhes do projeto e  as origens do conjunto que faz parte da própria cidade e é estimulada a debater coletivamente os usos futuros ao lado de pesquisadores, arquitetos, artistas e trabalhadores da obra. 

Projeto ainda gera polêmica

foto: Instituto Pedra
A primeira proposta de intervenção no espaço surgiu em 1974, de autoria dos arquitetos Benedito Lima de Toledo, Claudio Tozzi e Décio Tozzi. Mas foi apresentado um novo projeto, bem mais atualizado, pelo Instituto Pedra, e aprovado pelos órgãos de preservação em 2010. Trata-se de um novo olhar sobre esse conjunto de imóveis auto-construídos, reconhecendo a importância cultural deste tipo de bens, até então não valorizados pelos órgãos de patrimônio. Como era de se esperar, a ideia de transformar o local num polo artístico, gastronômico e turístico gerou uma grande polêmica entre arquitetos, moradores, movimentos sociais e órgãos de patrimônio, principalmente por não levar em conta o destino dos então moradores. Na verdade, o debate se arrasta até hoje e ainda não há respostas a algumas questões, entre elas, por que fazer um centro cultural num local de moradia, como integrar a moradia ao projeto cultural e quais os possíveis usos da Vila no futuro, que dialoguem com seu passado e com as atuais necessidades do bairro e da cidade.

O fato concreto, é que, após a compra do conjunto arquitetônico pela Prefeitura, em 2006, para desapropriação,por ser um bem de utilidade pública, as mais de 100 famílias  que ali viveram por  décadas,   foram transferidas para unidades da CDHU localizadas na região do próprio Bixiga e no Bom Retiro

foto: Instituto Pedra
Se forem respeitadas as diretrizes de uso do conjunto após a conclusão do restauro, a prioridade é reproduzir a diversidade cultural da cidade, como uma típica “vila paulistana”.  Não está prevista a ocupação das casas pelos seus antigos moradores.  A utilização será multidisciplinar, valorizando o patrimônio histórico, as artes, educação, lazer e gastronomia. Uma atração a mais será um museu multimídia sobre a Vila Itororó e a história de São Paulo na década de 20. Além disso, haverá residência artística, salas de ensaio, espaços de cinema, teatro, dança, circo, oficinas e até um playground
  
foto: Milu Leite
Um registro importante sobre o construtor da Vila Itororó: Francisco de Castro não era um comerciante português como aparece em sites de pesquisa e até livros sobre o personagem. Em documentário produzido pelo Instituto Pedra, um depoimento de dois sobrinhos netos, Francisco de Castro Sobrinho e Elza de Castro, não deixa dúvidas de que ele nasceu em Guaratinguetá. Filho de uma família de imigrantes portugueses, foi para Portugal ainda pequeno e retornou sozinho para o Brasil com 19 anos. Dirigiu uma indústria têxtil e atuou no mercado de exportação de café, fez fortuna, comprou terrenos em várias regiões da cidade, incluindo os bairros da Aclimação e Bela Vista onde ergueu a Vila Itororó. Morreu em 1932, aos 55 anos, depois de ficar muito endividado pelas perdas resultantes da crise mundial de 1929.  Após seu falecimento, todos os seus bens e imóveis, incluindo a Vila foram leiloados entre os credores.

foto: Helio Bertolucci
O complexo também chegou a pertencer a Instituição Beneficente Augusto de Oliveira Camargo, fundadora da Santa Casa de Indaiatuba, que usou a Vila Itororó como garantia de renda, alugando as casas para as famílias estabelecidas .

 Além do palacete, com quatro pavimentos e 18 colunas, que era a residência de Francisco de Castro e decorado com os materiais residuais da demolição do antigo Teatro São José, outro destaque na Vila é a Casa das Carrancas, a segunda maior construção e que também mostra diferentes ornamentos  incluindo vitrais, esculturas de animais e cariátides femininas. Algumas destas peças, por exemplo a da Deusa da Beleza e das cabeças de três leões, estas bem danificadas, estão separadas e protegidas num espaço do galpão aguardando a restauração.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

 

Emoção há meio século 

 

Aconteceu meses antes de o Brasil conquistar o tricampeonato mundial de futebol no México. Estava em viagem a trabalho, como enviado especial pelo Suplemento de Turismo do Estadão. O roteiro incluía Washington, a capital dos Estados Unidos. E uma visita ao Cemitério de Arlington, um dos pontos mais procurados por turistas do país  e de todo o mundo. Lá se vão 51 anos deste registro.



sexta-feira, 9 de abril de 2021


 
A Vida é Um Eterno Recomeço


Após um período sabático que está próximo dos três anos em que aposentei meu Blog, ele está de volta. Um hobby que, confesso, vinha me fazendo falta. Até para amenizar um pouco o distanciamento social em que me encontro há mais de um ano, imposto por uma das piores tragédias que o Brasil e a humanidade enfrentam e que já ceifou milhões de vidas.


Fiel ao propósito para o qual foi criado, de falar "De Tudo Um Pouco, Um Pouco de Tudo", excluindo temas políticos e religiosos, postarei textos sobre viagens de turismo, histórias e estórias, cultura, arte, personalidades e personagens com quem convivi ao longo de mais de meio século de atividade jornalística. Na pequena mídia do Interior das Gerais, minha origem, e na grande mídia da Capital. Além da atuação na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São Paulo. Nesta área, foram 40 anos.

Na medida do possível, diante do atual momento em que não podemos correr riscos, para atualizar os textos publicados minhas pesquisas terão que ser on- line ou via celular. A opção de ir direto às fontes, nestas circunstâncias está descartada.

A partir deste mês, com a periodicidade que for possível, farei uma postagem sobre coisas do passado e do presente. O futuro a Deus pertence. 

Será "De Tudo um Pouco, Um Pouco de Tudo".

Espero que apreciem este retorno do Blog.

Abraço carinhoso a todos.


De volta ao passado

Quando setembro chegar, esta reportagem completará 30 anos de sua publicação no então Suplemento de Turismo (hoje Viagem), do Estadão. E escolhi esta matéria, sobre uma das mais encantadoras e charmosas cidades da Hungria, onde estive em 1991, para marcar a volta do meu Blog. Exatamente como eu a escrevi e arquivada no excelente Acervo do jornal  onde, com orgulho, trabalhei por quase 13 anos, em duas passagens. 



terça-feira, 24 de abril de 2018


Pelos trilhos, você vai da montanha até o mar

Paisagens Atraentes - Divulgação
Mais do que  de avião e de navio, sempre gostei  mesmo, desde menino, é de uma viagem de trem. E quanto mais demorada, melhor. Com paradas em muitas estações, como na época em que, na minha juventude, a passeio,  e depois, na mudança definitiva,  fui de Uberaba  a São Paulo pela "Maria Fumaça" da Mogiana, com baldeação em Campinas, para pegar de imediato a moderna Diesel  da Companhia Paulista até a grande metrópole.

Em julho, para comemorar meus 80, estou pensando seriamente em matar a saudade. E, após décadas, encarar uma aventura ferroviária, dentro de um trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas, da Vale, que liga desde 1907, diariamente, as montanhas das Gerais às praias do Espírito Santo.

São “apenas”  664 quilômetros sobre os trilhos, percorridos em 13 horas, com paradas em 28 estações, desde a partida de Belo Horizonte, às 7h30, até a chegada às 20h30  em Cariacica, na estação Pedro Nolasco. Viagem nem tão cansativa, levando-se em conta que, tanto na Executiva  quanto na
Tem wi-fi  para todos a bordo
Econômica, há poltronas reclináveis, com mesinhas e sistema de internet wi-fi, com tomada para uso de computador ou recarga de celular. O trem oferece conteúdo de entretenimento off-line gratuito e tem telas de tv distribuídas estrategicamente sobre os assentos. Há serviço de bordo nas duas classes, com café da manhã, e as
Vagão restaurante
refeições são no carro restaurante. Lanches são vendidos em carrinhos, como os usados nos aviões.

Não há mais janelas nos vagões, que  são totalmente vedados, têm ar condicionado e tratamento acústico nas duas classes. A Vale investiu US 80,2 milhões, n a época, na compra de 56 novos carros (10 para a classe executiva e 30 para a econômica) além de carros restaurante, lanchonete, gerador e vagão exclusivo para portadores de necessidades especiais, pessoas com dificuldade de locomoção. Os novos vagões entraram em operação em agosto de 2014.

A viagem no trem da Vale entre Belo Horizonte e Vitória em nada lembra a
Conforto nas duas classes
inesquecível  maratona que enfrentei no passado, com meus pais e irmãos, a bordo da "Maria Fumaça" da Rede Mineira de Viação, apelidada de “Ruim Mais Vai”, que nos levou de Uberaba a Belo Horizonte. Saímos num dia  e chegamos quase na metade do outro, depois de dormirmos espremidos nos “leitos” instalados na parte superior das pouco confortáveis poltronas.

Claro que a viagem no trem da Vitória-Minas é para quem não tem pressa, gosta deste tipo de transporte, desde que haja conforto, e que curte belas paisagens, que mesclam muita natureza, extensos viadutos e pontes, entre montanhas  e pontos históricos que incluem cidades coloniais  às margens dos rios Piracicaba e Doce, no Estado de Minas, antes de alcançar o litoral do Espírito Santo.

O ideal é planejar a viagem para as férias de julho. Principalmente para quem tem filhos estudando. A não ser que você seja aposentado (meu caso) e queira fazer o passeio numa época  de menor demanda.

Mais de um milhão em 2017

De acordo com informações da Vale,  no ano passado o trem de passageiros  levou 1,015 milhão de pessoas  (transporte e lazer) em viagens entre Minas Gerais  e o Espírito Santo. O número de pessoas  que chegou a Belo Horizonte foi de 248 mil, contra 252 mil que desembarcaram em Vitória.

Percurso tem 28 estações
Segundo  a mesma fonte, a Estrada de Ferro Vitória a Minas é uma das ferrovias mais modernas no mundo, resultado dos investimentos em tecnologia e recursos humanos. Tem 905 quilômetros de extensão e é responsável pelo transporte de 40% da carga ferroviária do país. Seus trens transportam pelo menos 60 tipos de produtos, que incluem minério de ferro, aço, soja, carvão, calcário, entre os principais. E a única ferrovia no Brasil com um trem de passageiros que percorre longas distâncias diariamente, servindo às populações de 42 municípios.   

Serviço

A direção EFVM recomenda que a compra de passagens seja feita com alguma antecedência, principalmente  para quem pretende viajar nos períodos das festas de fim ano, Carnaval, Semana  Santa e férias de julho. O aumento  da demanda também  se  deve ao fato de se poder comprar pela internet. Os bilhetes para a Classe Executiva custam R$ 105  e na Classe Econômica, R$ 73. A bordo, as refeições são pagas exclusivamente em dinheiro.

Embora o trem não seja turístico, pesquisa recente revelou que 25% das
Toalete de Primeira
pessoas o utilizam com esta finalidade. Mas ele faz paradas rápidas em todas as estações do percurso para embarque e desembarque de passageiros. Não é permitido levar animais e nem comida e bebida a bordo.

Classe Executiva
O trem parte pontualmente da estação de Belo Horizonte,  às 7h30 e chega à estação Pedro Nolasco, em Cariacica (ES) às 20h30. No sentido contrário, parte às 7h e chega à 20h10. Mais informações podem ser obtidas nos canais de atendimento da Vale, como o Alô Ferrovias (0800-285-7000), gratuito e no site www.vale.com/tremdepassageirosfvm